Monitor Ingep #29 – Dispensa de licitação: novos valores, novos riscos

Até onde vai a dispensa de licitação na prática? Com a atualização dos valores prevista no decreto já em vigor, essa pergunta passa a ter impacto direto na rotina de planejamento, na escolha da estratégia de contratação e na organização dos fluxos internos de compras. O novo patamar amplia o espaço para contratações diretas de bens e serviços comuns, mas também aumenta a responsabilidade do gestor na motivação e na formalização desses processos.

A mudança exige revisão imediata de normas internas, reavaliação de procedimentos e atenção redobrada aos princípios da Lei 14.133. Mais agilidade não significa menos controle, e o uso recorrente da dispensa passa a demandar justificativas técnicas e econômicas ainda mais consistentes para evitar questionamentos futuros.

Esta edição do Monitor Ingep traz ainda uma análise crítica sobre a aplicação da multa compensatória e os limites da discricionariedade administrativa, além de reportagens que tratam de integridade nas contratações, competitividade em licitações ambientais e orientações práticas para obras públicas. Um conjunto de temas que dialoga diretamente com decisões cotidianas de quem atua com compras e contratos públicos.

Boa leitura!


Dispensa de licitação ganha novo patamar de valor


O Decreto nº 12.807, já em vigor, atualizou os valores aplicáveis às contratações diretas por dispensa de licitação previstas na Lei nº 14.133. A norma revisa os limites financeiros que autorizam a Administração a contratar sem licitação, adequando-os à sistemática legal e reforçando a aplicação prática desses instrumentos no dia a dia das compras públicas.

No caso de bens e serviços comuns, o decreto elevou de forma expressiva o valor máximo permitido para a dispensa, alterando o alcance desse mecanismo nas contratações de menor vulto. A mudança impacta diretamente rotinas administrativas, planejamento de compras e definição das estratégias de contratação pelos órgãos públicos.

🎯 Impacto:
Com o novo valor em vigor, a Administração passa a contar com maior margem operacional para contratar bens e serviços comuns por dispensa, reduzindo a necessidade de procedimentos licitatórios formais em contratações de baixo valor. Isso amplia a agilidade das aquisições, mas exige atenção redobrada à motivação do ato, ao planejamento prévio e à observância dos princípios da Lei nº 14.133.

📌 Referência:
Decreto nº 12.807, de 29 de dezembro de 2025, e Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021.


APLICAÇÃO PRÁTICA

Na rotina administrativa, a atualização dos valores exige ajustes imediatos nos fluxos internos de contratação:

✔ Revisar normas internas e manuais de compras para refletir o novo limite de dispensa
✔ Adequar o planejamento anual de contratações aos valores atualmente em vigor
✔ Reavaliar processos que antes exigiam licitação e agora podem ser feitos por dispensa
✔ Reforçar a fundamentação técnica e econômica das contratações diretas
✔ Garantir registro adequado no processo para fins de controle e fiscalização


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