Por Amaury José Rezende, Márcio Henrique Bernardes Martins e Marcos Roberto Santiago
A Nova Lei de Licitações introduziu mudanças que desafiam a lógica tradicional do menor preço como critério principal de escolha nas contratações públicas. O artigo publicado no Jornal da USP propõe uma nova racionalidade econômica para as compras governamentais, fundamentada na busca do melhor preço, aquele que considera o ciclo de vida dos produtos, a adequada remuneração do capital e a precificação dos riscos assumidos.
Para os autores, é preciso entender as licitações públicas como um espaço de consumo coletivo, onde o Estado assume o papel de consumidor em nome da sociedade. Nesse cenário, conceitos como valor agregado, inteligência competitiva e centralidade do usuário final ganham protagonismo. A simples disputa de preços perde força diante de modelos que priorizam resultados, sustentabilidade e inovação.
O texto destaca ainda o potencial do credenciamento e dos marketplaces públicos como instrumentos de transformação das compras governamentais, com impactos na eficiência administrativa e na política industrial. Ao aproximar o modelo brasileiro de práticas mais modernas, a proposta aponta para uma administração pública mais estratégica, com decisões baseadas em dados, qualidade e racionalidade econômica de longo prazo.